Bolsonaro diz que visita de Putin no meio da guerra garantiu segurança alimentar no Brasil e no mundo

Presidente brasileiro considera “injusta” críticas a seu governo por sua política na Amazônia

Ele diz que os protestos de alguns de seus apoiadores pedindo o fechamento do Congresso se enquadram na ‘liberdade de expressão’

MADRI, 23 de agosto (EUROPA PRESS) –

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro defendeu sua polêmica visita em fevereiro ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, em plena guerra com a Ucrânia, assegurando que com ela garantiu a segurança alimentar em seu país e no mundo.

“Fui à Rússia para negociar fertilizantes com o presidente Putin. Se eu não estivesse lá, não teríamos fertilizante para nossas lavouras neste segundo semestre do ano”, disse Bolsonaro, acrescentando que “isso garantiu a segurança alimentar no brasil”. e o mundo.”

Bolsonaro deu entrevista nesta segunda-feira à noite para o telejornal da Rede Globo, na qual admitiu que não conseguiu cumprir algumas de suas promessas devido à pandemia, bem como a “enorme seca” que atingiu o Brasil no ano passado e também por causa da guerra na Ucrânia.

ELEIÇÕES NO BRASIL

Sobre as eleições marcadas para outubro, o presidente brasileiro garantiu que respeitará o resultado seja qual for “desde que seja limpo e transparente”.

Declarações que vêm depois de vários meses atacando o sistema eleitoral brasileiro e questionando sua confiabilidade. Acusações que se intensificaram depois que o grande favorito dessas eleições, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recuperou seus direitos políticos.

No entanto, Bolsonaro defendeu essas acusações, que ele repetiu mesmo sem provas e foi negado, como parte de seu interesse em “impedir que dúvidas sobre as eleições sejam planejadas”.

Além das eleições, outro dos alvos que Bolsonaro vem mirando com particular predileção nos últimos meses é o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que atuará como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nessas eleições.

Bolsonaro justificou que chamou De Moraes de “crapule” porque estava liderando uma “investigação totalmente ilegal” contra ele. “A temperatura subiu”, disse o presidente, para quem o caso “já está tranquilo”.

Por sua vez, indicou que, por sua iniciativa, será realizada esta terça-feira uma reunião entre o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e o juiz De Moraes, para garantir a transparência das eleições. “Tenho certeza que vão se materializar (…). Podem ficar tranquilos, haverá eleições limpas”, disse.

CRÍTICAS DE SUAS POLÍTICAS NA AMAZÔNIA

Ele também foi desafiado pelas fortes críticas que sua política em relação à Amazônia tem despertado em grande parte da comunidade internacional, assegurando, como já fez em outras ocasiões, que há um “interesse” de fora para atacar o Brasil nesta aventura .

“O Brasil não merece ser atacado dessa forma”, protestou Bolsonaro, que se perguntou por que só se fala de seu país quando “França, Portugal, Espanha ou Califórnia” também estão sob fogo.

“Infelizmente, no Brasil não é diferente”, disse ele, reconhecendo que sim, existem “criminosos” causando incêndios em algum lugar, mas questionou se uma política de controle poderia ser conduzida devido ao grande tamanho dessa região. “A Amazônia é do tamanho da Europa Ocidental”, disse ele.

ATAQUES ÀS INSTITUIÇÕES

Bolsonaro também teve tempo durante a entrevista para relativizar algumas das declarações que parte de seu eleitorado faz durante os comícios em seu apoio, em que também se exige o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, e até mesmo referências às leis do ditadura.

Para o líder de extrema-direita, é “liberdade de expressão” e “parte da democracia”. Bolsonaro disse não concordar com as alegações, mas que “não faz sentido” tentar punir alguém por segurar uma faixa com esses slogans.

Cristiano Cunha

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