Unai Sordo vê isso como a supressão “obscena” do ISF: “Ele envia uma mensagem ‘estado da banana'”

SANTIAGO DE COMPOSTELA, 23 (EUROPE PRESS)

O secretário-geral do CC.OO., Unai Sordo, qualificou de “obscena” a decisão de abolir ou reduzir o imposto sobre a riqueza anunciada nos últimos dias por comunidades como a Andaluzia ou a Galiza, que adiantaram esta sexta-feira que um bónus de 50% imposto.

Falando à imprensa antes do encontro com delegados do setor de assistência domiciliar em Santiago de Compostela, Sordo chamou de “obscenidade” que as comunidades “compitam para ver quem perdoa mais impostos para pessoas ricas” quando, continuou, “este país foi salvo por recursos públicos”.

Da mesma forma, alegou que na Espanha os rendimentos de capital e de alta renda “pagam menos impostos do que os pagos na Europa”. “Na Espanha, há um diferencial tributário com a União Europeia de sete pontos do PIB. Há 70.000 milhões de euros que não são arrecadados por ano. Muito simplesmente porque a política fiscal não os recolhe, porque eles não os querem recolher. Nessa dinâmica, os impostos não podem ser reduzidos, principalmente para os de alta renda”, ressaltou.

Nesse sentido, indicou que na Europa foram disponibilizados 750 mil milhões de euros para fundos de recuperação, pagos com a dívida comum europeia. Dinheiro, acrescentou, que vão despejar “no pescoço dos espanhóis, dos portugueses, dos franceses, dos italianos ou dos alemães”.

Por isso, lamentou que “quando a Europa der um passo em frente nesta área e a Espanha for o segundo país a beneficiar destes fundos”, “o que terão agora em mente os comissários holandeses ou alemães, a quem custou tanto obter este fundo” quando obtêm “a ocorrência” de que as comunidades autônomas da Espanha “compitam entre si para reduzir impostos para milionários”.

Diante disso, assegurou que “uma imagem dolorosa” é transferida e indicou que a Espanha “não pode entrar nesta competição”. “A Espanha deve ter uma carga tributária comparável à de outros países europeus para ter serviços públicos de qualidade e para que o Estado desempenhe o papel que deve desempenhar na economia. O que está acontecendo me parece bastante obsceno”, reiterou o secretário-geral do CC.OO.

Suzana Leite

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