Veja como Espanha e Portugal pescam tubarões

organização ambiental internacional paz verde publicou esta quinta-feira um relatório por ocasião do Dia Internacional da Consciencialização do Tubarão, no qual se denuncia como as frotas pesqueiras espanhola e portuguesa estão constantemente a pescar nos criadouros de tubarões do Atlântico Norte utilizando palangres.

O relatório intitulado “Tubarões em perigo: como as frotas de pesca da UE estão a impulsionar o comércio global de tubarões”, Ele argumenta que em um dia de pesca nesta área, são usados ​​mais de 1.200 quilômetros de linha de pesca, dos quais cerca de 15.000-28.000 unidades pendem.

Nesse sentido, a investigação realizada em Maio deste ano mostra que tanto na Horta (Açores) como em Vigo capturam espécies imaturas, juvenis e crias de tubarões azuis medindo entre 50 e 70 cm, muito menos metade do que deveria medir, porque não não existem regulamentos que regulem tamanhos mínimos de captura, comprimento ou número máximo de anzóis no Atlântico Norte.

Perante esta situação, Pilar Marcos, gestora de campanha da ONG ambientalista em Espanha, disse que embora “a União Europeia e os seus Estados-Membros se afirmem líderes na proteção dos oceanos, as suas frotas pesqueiras estão a pescar sem discernimento nos criadouros de tubarões”. no Atlântico Norte. Inclusive, “Espanha e Portugal estão tentando perpetuar o atual estado de má governança global que quase levou ao desaparecimento de certas espécies de tubarões”.

uma espécie em extinção

Apesar de os especialistas no assunto alertarem sobre o perigo dos tubarões há mais de 20 anos, porque eles são um dos animais mais ameaçados do mundo, com 17 espécies em perigo de extinção, como o tubarão mako.

De fato, em 2017, cientistas alertaram que, mesmo interrompendo a captura dessa espécie específica, sua população levaria mais de 20 anos para se recuperar, pois esse animal possui características biológicas que o tornam mais vulnerável com uma faixa de 4 a 16 filhotes após uma gestação período de 15 a 18 meses e com um ciclo de desova a cada 3 anos. Além disso, em 2018 foi solicitada a proibição total da sua captura no Atlântico Norte, embora só em 2021 tenha sido aprovada uma moratória de pesca, e apenas por dois anos. Por seu lado, a frota espanhola considerou desarrazoado incluir o mako nas listas de espécies ameaçadas de extinção, alegando que “é um absurdo equiparar o tubarão a um rinoceronte branco ou a um lince, que não são comidos”.

Entretanto, o tubarão-azul, a espécie mais pescada no Atlântico Norte, encontra-se numa incerteza total, uma vez que o seu estado atual é desconhecido e apenas beneficia de uma quota de pesca no âmbito da Comissão Internacional para a Conservação dos Tunídeos do Atlântico. (ICCAT).

“O que está acontecendo no Atlântico Norte é o exemplo mais claro de como a governança oceânica não funciona. O benefício econômico vem antes da sobrevivência das espécies. Não podemos continuar assim. Precisamos de um tratado oceânico global ambicioso e forte a ser aprovado este ano consertar esse sistema disfuncional e colocar a proteção marinha no centro da governança global dos oceanos”, acrescentou Marcos, pois a venda de carne de tubarão é um negócio muito lucrativo, de fato, a Espanha é o principal exportador mundial de carne dessa espécie com 24.075.118 dólares recolhidos em 2020 e é seguido pela China com 21.612.517 dólares e Portugal com 17.247.454 dólares.

Cristiano Cunha

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