Portugal partilha com Espanha a rejeição do plano de Bruxelas que “não é aceitável” | Economia

A proposta de Bruxelas de reduzir em 15% o consumo de gás entre os parceiros da UE não é “aceitável” para Portugal, que partilha a rejeição da Espanha à iniciativa da Comissão Europeia, disse hoje o ministro português do Ambiente, Duarte Cordeiro.

“Esta proposta não serve os interesses de Portugal”, disse em declarações à comunicação social após a reunião de gabinete.

Portugal “rejeitará a proposta se for apresentada nestes termos”, acrescentou. “Do jeito que está, não aceitamos.”

Mesmo que não tenha fechado a porta para as negociações: “Estamos discutindo com a Comissão Europeia para que outros aspectos sejam considerados”.

A questão, disse o ministro português, é ter em conta as particularidades de cada região: Portugal não tem ligações energéticas com a Europa e sofre com uma seca severa que levou a uma queda na produção de energia hidroeléctrica em quase 50%.

“Partilhamos esta perspectiva com Espanha”, para a Península Ibérica “é um ano de seca e temos uma redução de energia hidroeléctrica”, acrescentou.

“Vamos tentar fazer com que nossos interesses sejam mais bem representados”, insistiu Cordeiro.

A Comissão Europeia propôs na quarta-feira que todos os países da União Europeia reduzam voluntariamente seu consumo de gás em 15% até a próxima primavera para se preparar para um possível corte no fornecimento russo e que, em caso de emergência, a pausa seja obrigatória.

No mesmo dia, o governo espanhol declarou sua rejeição da proposta.

“Defendemos os valores europeus, mas não podemos assumir um sacrifício sobre o qual nem sequer nos pediram um parecer prévio”, declarou em conferência de imprensa a terceira vice-presidente e ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, que considerou que o ideia de Bruxelas “Não é necessariamente o mais eficaz, nem o mais eficiente, nem o mais justo”.

É algo inacessível para a Espanha, especialmente quando “não nos pediram opinião” e não houve debate aberto para algo que supõe “um esforço desproporcional”, sublinhou hoje Ribera.

O primeiro-ministro português, o socialista António Costa, já tinha apresentado esta semana a posição de Portugal sobre a abordagem que Bruxelas estava a preparar.

“Se hoje temos essa capacidade de geração de energia renovável, é porque famílias e empresas desembolsaram 17 bilhões de euros em financiamento extraordinário”, disse Costa na segunda-feira. “Estamos unidos”, mas “não vamos fazer os portugueses pagarem”.

“A solidariedade significa também que não vamos fazer com que os portugueses paguem custos adicionais para compensar o atraso sofrido por outros quando poderiam, e deveriam ter, feito o investimento que fizemos nas energias renováveis.”, declarou. EFE

mar/fpa

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Cristiano Cunha

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